O mérito de Quem soltou o Pum? é entender uma coisa que poucos livros fazem tão bem: criança pequena aprende muito por tabu e riso. Ao transformar um assunto “proibido” (pum) num jogo inteligente de linguagem, a história ajuda a criança a se sentir confortável com o próprio corpo e com situações sociais embaraçosas — sem humilhar ninguém e sem pregar moral.
Do ponto de vista de desenvolvimento, ele trabalha consciência linguística (duplo sentido, ambiguidade, entonação), reforça vínculo afetivo na leitura em voz alta e costuma ser um ótimo gatilho para a criança se interessar por outros livros, porque dá aquela sensação imediata de diversão. E as ilustrações do José Carlos Lollo somam muito, porque ajudam a criança a “enxergar” a piada antes mesmo de dominar totalmente a leitura.
Para pais, a dica prática é simples: vale ler uma primeira vez deixando a criança só rir, e numa segunda leitura fazer perguntas bem curtas, do tipo “por que isso é engraçado?” e “o que muda quando você descobre que Pum é o cachorro?”. É um jeito natural de transformar risada em aprendizado de linguagem — sem cara de lição.




